Renascimento e Barroco na Pintura Europeia Fragmentos de uma Galeria Pessoal
Paulo Ferreira da Cunha
Prof. Catedrático da Univ. do Porto
Introdução
A Pintura Europeia, enquanto pintura do continente europeu, existe, certamente, desde que homens como os de Foz do Côa, Altamira, Lascaux… marcaram com objecto riscador em suporte idóneo traços da memória de si e das suas angústias.
Desde essa Pré-História esteticamente tão próxima de nós, muito caminho se percorreu. A Antiguidade, salvo excepções, pelo seu carácter cívico que sempre prefere o monumental, preteriu a pintura em favor da escultura e da escultura arquitectonicamente integrada. A Idade Média deslocou a pintura do mundo fenoménico para o mundo da fé. Há aí também uma Pintura Europeia, e em certos casos com clara homogeneidade continental, mas não se encontrará plena enquanto reflexo do espírito europeu. E em todos os casos referidos, a Pintura é ancilar e, independentemente da sua qualidade, não é considerada no imaginário comum muito acima das artes mecânicas.
Vai ser com o Renascimento, com os Renascimentos, e a Modernidade que a Pintura se assume como Arte com dignidade autónoma, e se dá conta da sua componente técnico-científica, e reflexivo-especulativa, como “cosa mentale”. Essa dimensão confere-lhe a maioridade enquanto expressão artística por excelência da eterna e intrínseca inquietação e indagação europeias. :: Ler Mais »